No LNBio, pesquisa sobre vacina contra o câncer tem resultados surpreendentes Mais»

 

ICOMEX: déficit em conta corrente aumenta em 2018, mas o setor externo continua com sinal “verde”

 

Fonte: FGV/Ibre

 

Em janeiro, o superávit da balança comercial foi de US$ 2.710 milhões próximo ao resultado de janeiro de 2017 que foi de US$ 2.768 milhões. Esse resultado inicial, porém, não pode ser entendido como indicativo de saldos similares entre 2017 e 2018. Como já analisado no ICOMEX de janeiro, esperamos que em 2018 o saldo positivo da balança comercial seja menor do que em 2017, um valor ao redor de US$ 48/52 bilhões. As razões são: o maior crescimento no nível de atividade econômica e o menor crescimento nos preços das commodities em 2018 comparado com 2017. Surpresas, no entanto, podem ocorrer. Um saldo maior pode ocorrer com um desempenho mais favorável no volume das commodities e nas exportações de manufaturas, associado ao aumento esperado do comércio mundial em 2018.

No presente ICOMEX, mostramos os principais resultados dos índices de comércio exterior. Além disso, introduzimos uma seção de Tópico Especial que irá ser publicada quando algum tema mereça ser destacado.

Resultados dos índices de comércio exterior 

Em termos de valor, as exportações cresceram 16% e as importações 14%, entre os meses de janeiro de 2017/2018 lideradas pelo aumento de preços: exportações, 11,8% e importações, 15,4%. O aumento nos volumes foi de 2% nas exportações e de 1,5% nas importações.
Observa-se que o aumento nos preços exportados é comum ao fluxo das commodities e não commodities, ocorrendo o mesmo com as importações (Gráfico 1). Ressalta-se a elevação em 40,1% nos preços das commodities. No caso do volume, as exportações de commodities caem e as de não commodities aumentam 14,4%. Como antes mencionado, não é possível extrapolar tendências a partir de um único resultado. Esperamos que o volume exportado das commodities cresça com o início dos embarques de soja, em especial, nos próximos meses.

grafico111

A agropecuária liderou o aumento no volume das exportações (45,5%) seguida da indústria de transformação (2,3%), Gráfico 2. No entanto, o recuo na indústria extrativa (minerais) explica a queda no volume das commodities e o percentual de apenas 2% no volume total exportado. Os preços aumentaram para a extrativa e para a transformação e caíram 5,2% na agropecuária. Por categoria de uso, as exportações de bens de capital e bens duráveis registraram aumentos de 42,9% e de 17,8%, respectivamente, Gráfico 3. No caso de bens de capital são ressaltados o crescimento em valor das vendas de aviões (474%) e de máquinas de terraplanagem (171%).

grafico222
grafico333

Pelo lado das importações, foi registrado recuo na agropecuária e na extrativa, em termos de volume. As importações da indústria de transformação cresceram 4,1%. Nos preços, a agropecuária teve queda e assim como nas exportações cresceram os preços na extrativa e na transformação (Gráfico 4). Por categoria de uso, as importações de bens de consumo cresceram a 2 dígitos entre os meses de janeiro e as de bens intermediários aumentaram 2,3% e as de bens de capital recuaram (Gráfico 5). As duas últimas categorias são indicadores do nível de atividade, mas o resultado de janeiro é compatível com uma redução no ritmo de crescimento no início do ano.

grafico444
grafico555

O Gráfico 6 mostra a variação entre os meses de janeiro dos principais indicadores do desempenho do nível de atividade na indústria e na agropecuária. No caso dessa última, o índice aponta um aumento de investimento (23,5%) e uma redução nas compras de bens intermediários. Na indústria de transformação, observa-se um recuo nas compras de bens de capital e, como antes mencionado, aumento de 2,5% nas compras de bens intermediários. Devemos esperar um aumento nas compras de bens intermediários nos dois setores nos próximos meses.

grafico666

Por último, a taxa de câmbio efetiva real após seguir uma trajetória de desvalorização desde agosto de 2017, registrou valorização de 1,6% (deflator IPC) e de 1,8% (deflator IPA). Num ano de eleições e num cenário incerto quanto ao rumo das reformas econômicas, é difícil acertar o que irá ocorrer com o câmbio. No entanto, não achamos que a valorização de janeiro indica uma tendência para 2018 que possa alterar a expectativa de um superávit na casa dos US$ 50 bilhões para 2018.

Tópico adicional: O protecionismo de Trump e as exportações de produtos siderúrgicos.

Está em processo de análise pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos como responder aos danos causados pelas importações na indústria siderúrgica, segundo a investigação do próprio Departamento.

grafico777

Três medidas estão sendo propostas e uma delas será escolhida. A primeira é uma taxa de 24% que irá incidir sobre todas as importações, independente da origem por país. A segunda é uma taxa de 53% que incide sobre 11 países entre eles o Brasil e a terceira é a imposição de cotas. A tabela mostra a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras dos quatro principais produtos siderúrgicos destinadas a esse mercado. Observa-se que caso se confirme as taxas, a indústria brasileira de siderurgia poderá sofrer perdas. O contrapeso é que o produto com maior participação do mercado dos Estados são os semimanufaturados, que são insumos para a indústria siderúrgica dos Estados Unidos. Nesse caso, poderão atuar os lobbies contra a imposição de taxas.

grafico888

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *