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ICOMEX: Os termos de troca do Brasil crescem no 1ºTri de 2018 liderado pelo comércio com a China

Fonte: FGV/Ibre

 

A China é o principal mercado para as exportações brasileiras e o percentual da participação nas importações brasileiras é próximo ao da União Europeia. No primeiro trimestre, a China explicou 23,2% das exportações brasileiras e 19,8% das importações (União Europeia, 20,7%). O ICOMEX passará a divulgar mensalmente os índices de exportações e importações do comércio bilateral China e Brasil a partir desse boletim e novos índices por países serão incorporados na base de dados do ICOMEX ao longo dos próximos meses.

O saldo da balança comercial caiu de US$ 14,4 bilhões para US$ 13,9 bilhões do primeiro trimestre de 2017 para o mesmo período em 2018. Em termos de valor, as exportações diminuíram o crescimento passando de 24,3% para 7,8% e as importações ficaram relativamente estáveis em 12%.

Para a China, o crescimento das exportações no primeiro trimestre foi de 1%. O Gráfico 1.A compara o desempenho do volume exportado para a China e para o mundo. Observa-se que o crescimento do volume exportado para a China supera o total para o Brasil. Entretanto, nos primeiros meses de 2018, a queda das exportações para a China supera a das exportações totais. Assim, no primeiro trimestre de 2018, o volume exportado pelo Brasil recuou em 4,2% e para a China em 12,9%. A demora no embarque da soja é um dos fatores para explicar esse resultado que deverá mudar nos próximos meses para positivo.

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Nas importações, a comparação mensal tende a ser mais favorável para a China e no primeiro trimestre desse ano, os volumes totais e oriundos da China diminuíram relação ao ano de 2017 (Gráfico 1.B). No trimestre, o volume importado total caiu em 1% e o da China em 2,2%.

“A análise dos indicadores de comércio no primeiro trimestre mostra que o ritmo de crescimento das exportações em termos de volume é menor do que em 2017 com melhor desempenho para o grupo de não commodities. Nas importações há sinais de que a desvalorização da taxa de câmbio efetiva real está atenuando o crescimento das importações em uma fase de lenta recuperação do nível de atividade”, segundo Lia Valls.

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Os índices de comércio exterior 

Será comparado o desempenho entre os resultados do acumulado do ano até março 2017/2018 e igual período para 2016/2017.

Os preços de exportações crescem a um ritmo inferior passando de 18,6% (jan-mar17/jan-mar16) para 12,3% entre os dois primeiros trimestres de 2017/18. O volume exportado que tinha sido positivo no ano anterior (7,4%) fica negativo (-4,2%). Nas importações, os preços registram aumento de 14,3%, uma alta a ser destacada em comparação com 2017 (2,9%) e o volume importado cai entre os primeiros trimestres de 2017 e 2018.

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Os dados mostram, portanto, um comércio menos dinâmico no primeiro trimestre de 2018 em comparação com 2017.

A queda no volume exportado é explicada pelas exportações de commodities (Gráfico 3) que caíram 11,1% entre 2017/2018, enquanto as não commodities registraram crescimento de 5,1%. Além disso, na comparação dos trimestres de 2016/2017, chama atenção o elevado crescimento nos preços das commodities (35,9%) comparado com igual período de 2017/2018 (13,4%). Em síntese, as exportações de não commodities registraram melhor desempenho em volume e próximo ao dos preços das commodities no primeiro trimestre de 2018.

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Os termos de troca (preços de exportações/preços das importações) registram movimentos cíclicos nos últimos anos (Gráfico 4). Caem entre janeiro de 2015 e abril de 2016, voltam a crescer até março de 2017 caem novamente e, desde agosto de 2017 mostram tendência de alta.

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Observa-se que os termos de troca do comércio Brasil-China eram inferiores ao dos termos de troca total até dezembro de 2017. Isso se explica pela maior redução nos preços exportados da China influenciados basicamente por 3 commodities (soja, petróleo e minério de ferro), enquanto a cesta de commodities é composta por 23 produtos. Com o aumento no preço do petróleo, em especial, os termos de troca para a China melhoraram. Essa tendência poderá se acentuar, com o aumento nos preços da soja pela seca na Argentina e o protecionismo de Trump em relação à China.

Índices por indústria e categoria de uso

Por tipo de indústria, o maior volume exportado foi da agropecuária (6,1%), seguido da indústria de transformação (2,5%) e o da extrativa caiu 33,2%. Na comparação com o 2016/2017, piorou o desempenho da indústria extrativa e melhorou da transformação e da agropecuária. O mesmo comportamento é observado entre os dois primeiros bimestres de 2017 e 2018. Em termos de preços, apenas a indústria de transformação registrou aumento de preço superior na comparação do bimestre 2017/2018 do que 2016/2017. Na agropecuária os preços recuaram em 4,1% e na extrativa o aumento, embora elevado, 42%, foi menor do que em 2016/2017, 94,8% (Gráfico 5).

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O volume importado cai na agropecuária e extrativa, e cresce 1,1% na indústria de transformação, porém um percentual menor do que 2016/2017 (18,5%). Em termos de preços, é registrado aumento apenas na indústria de transformação. O menor crescimento no volume importado da indústria de transformação em comparação com 2016/2017 leva a que se observe a decomposição desse resultado por categoria de uso.

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Observa-se no Gráfico 7 que o aumento no volume exportado da indústria de transformação está concentrado em bens de capital (38,2%), liderado pela venda de plataformas de petróleo. Ressalta-se o baixo crescimento dos bens duráveis de consumo, 3,2%, quando comparamos o desempenho entre os dois primeiros trimestres de 2016 e 2017. O impulso das compras de automóveis observado em 2017 está arrefecendo. Bens intermediários e bens semiduráveis recuam na comparação dos trimestres.

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Os volumes importados (Gráfico 8) registram alta nos bens duráveis de consumo (36,7%), semiduráveis (29,6%) e não duráveis (4,7%). Os indicadores de nível de atividade e retomada do investimento que são os índices de volume das importações de bens de intermediários e de capital recuam na comparação dos dois primeiros trimestres de 2017 e 2018. Chama atenção a comparação com o período de 2016/2017, quando os bens intermediários subiram 25,5%. Uma explicação seria que em 2017 estava se partindo de um nível muito baixo de importações associado ao período recessivo. No entanto, seria esperado uma variação positiva.

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O Gráfico 9 mostra o volume importado de bens de capital na formação bruta de capital fixo da economia e no setor de agropecuária e de bens intermediários utilizados na indústria de transformação e na agropecuária. Essa comparação permite concluir que a retomada do investimento da economia ainda é muito incipiente (0,1%) e está concentrada na agropecuária (64,4%), pois como vimos anteriormente o volume importado pela indústria de transformação caiu 1%. Recuam as compras de bens intermediários na indústria de transformação e na agropecuária.

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Consideração final

O menor ritmo de crescimento das exportações de duráveis (automóveis) pode ser explicado com o ciclo de estoques e sua renovação. Em 2017 as compras de automóveis pela Argentina, que representa cerca de 80% das vendas brasileiras, foram muito elevadas após a recuperação da economia argentina e a regularização dos acordos Brasil-Argentina. Por outro lado, chamaram atenção o recuo nas compras de bens intermediários e o aumento nas importações de bens duráveis. Nesse caso, o comportamento do câmbio é um dos fatores que influencia esse resultado.

O Gráfico 10 registra uma aceleração na tendência de desvalorização real da taxa efetiva de câmbio a partir de janeiro de 2018. É certo que o índice é ainda inferior ao do ano de 2015/2016, mas o que queremos enfatizar é o movimento de tendência. Nesse caso, apesar de um possível maior crescimento em 2018 do que em 2017, o câmbio mais desvalorizado encarece as importações. Em adição, como vimos os preços das importações estão mais altos esse trimestre do que na comparação do trimestre de 2016/2017.

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