A política e o comportamento radical

Uma análise do cotidiano

Nos últimos anos o Brasil se transformou politicamente. Seu povo se tornou mais politizado, assumindo posições, muitas vezes filosoficamente fundamentadas, embora tenha se exacerbado o radicalismo.

Isso é ruim?

Na política, o radicalismo por natureza, é definido por ações revolucionárias que visam promover mudanças na sociedade.

Nas últimas eleições houve uma revolução silenciosa, já que não aconteceu com violência, mas pelo sufrágio universal. Uma revolução onde a direita liberal e conservadora, calada durante quase 30 anos de socialismo, e diante de uma corrupção endêmica e institucionalizada, rejeitou o establishment , tomando o poder.

Finalmente, depois de todo esse tempo, assistindo passivamente os acontecimentos, já que foi calada pelo medo de se posicionar e ser ridicularizada, pelo silêncio dos militares em relação ao golpe de 64, ou muitas vezes convencido por técnicas e filosofias socialistas, com a narrativa da esquerda se tornando hegemônica, conseguiu virar a tendência estabelecida de perpetuação do poder.

Já a esquerda, com seu projeto de poder interrompido e num desejo visceral , passou a buscar freneticamente sua retomada. A quer a qualquer custo conforme garantiu um dos seus baluartes, José Dirceu: “sua retomada, desta vez, não necessariamente por eleições“.

Conclusão

Isso levou o país a conviver com dois movimentos radicais após as eleições de 2018. Uma situação improvável de acontecer.

O movimento da revolução silenciosa no poder, e o movimento da esquerda, que pode abandonar a revolução gramsciana de ocupação e adotar a revolução marxista-leninista de tomada do poder pela força, tipo a revolução do proletariado.

É a primeira vez que vejo isso depois de uma eleição, pois pessoas de bom senso, se derrotadas como eu fui várias vezes, torce que o vitorioso dê certo, ainda que não acredite, pelas mais diversas razões, pois as ações dos eleitos vão terminar de uma forma, ou de outra, me impactando.

Caricatura de 1791 mostrando radicais ingleses decapitando o rei Jorge III do Reino UnidoCharles James Fox, o criador do sentido estrito do termo “radical”, está segurando o machado. Crédito: Wikipédia

Ao invés desse esperado comportamento, o que tenho visto é, amigos de Face, ou mesmo pessoais, que antes eram pessoas afáveis e agradáveis, postarem várias vezes por dia e todo dia, impropérios e absurdos nas redes sociais, contra o vitorioso, como se sua derrota no exercício da função, não trouxesse consequências graves para sua vida pessoal.

Essas atitudes, além de afastar amigos dessas redes sociais, afastam também amigos pessoais, que passam a não suportar a doença do outro, o que torna pessoas, antes queridas, ou admiradas, em pessoas que incomodam; não mais pelo posicionamento político, mas pela chatice mesmo.

Um comportamento que tira o censo crítico das pessoas, pois toda discussão se encerra em narrativas absurdas, mentiras e manipulações.

O que fazer diante desse radicalismo?

Nada! Suportar e tentar sentir pena, ao invés de raiva.

Quando as pessoas chegam nesse nível irracional de comportamento, estão passando por uma dor insuportável: a dor da derrota, natural, mas que nesses casos que ultrapassam a fronteira do razoável, certamente precisam de tratamento psicológico para melhorar sua própria qualidade de vida.

Se e quando isso acontecer, ela terá condições e autoridade para entrar numa discussão defendendo suas convicções, mostrando sua capacidade intelectual para mantê-la em alto nível, voltando a ser o que eram antes.

Faço votos que essas pessoas despertem e se curem, afinal na política, ninguém é, apenas está.

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