Minha estória num fragmento da história brasileira

Comício das diretas já em 1984

Eu vivi

As Diretas Já

Essa é minha estória de um fragmento da história brasileira. Eu e as pessoas da minha geração, sejam de esquerda, ou de direita, vivemos intensamente um fragmento da história do Brasil, com poucos momentos bons, o que levou o país à perda de produtividade e décadas perdidas na economia.

Começou com o movimento das “diretas já”.

Isso aconteceu em 1984, tendo como destaque, o então deputado federal Dante de Oliveira.

Natural do então, estado de Mato Grosso, ele ficou conhecido pela autoria de uma emenda constitucional, frustrada, que levou seu nome, propondo o restabelecimento das eleições diretas para presidente da república.

Deputado Dante de Oliveira (1984)
Crédito: Wikipédia

Em 1985, no governo do general Figueiredo, veio a redemocratização com a eleição e morte de Tancredo Neves, no dia da posse, trazendo uma comoção nacional. Era então, um Brasil cheio de esperança e de incertezas.

Foi uma eleição, de acordo com o modelo de redemocratização proposta pelos militares. Uma transição paulatina, que começou com a eleição indireta em 2005

A inflação de quatro dígitos

Sarney assume a Presidência da República com uma dívida pública (US$ 105,171 bilhões* ), em ascensão, herdada dos militares e uma inflação de 242,24% em 1990. Com ele o Brasil cresceu 22,72% , mas ao custo de uma inflação astronômica, chegando a 1972%, ao ano, no final do seu governo.

Sua principal medida econômica foi a implementação do Plano Cruzado, implementado pelo então ministro da fazenda Dilson Funaro, que consistia no congelamento de preços.

Presidente José Saney

Em 1988, outro momento importante, quando foi promulgada a nova constituição brasileira.

Três anos depois do fim do regime militar e ainda sob a sombra dele, a nova constituição veio carregada com idéias progressistas, para a qual eu já olhava com desconfiança.

Vivi para var as consequências de uma economia fechada, enquanto o mundo se integrava, crescia e inovava. Leis que sufocavam o empresário, tanto na área tributária, quanto na trabalhista.

A era Collor e o impeachment

Collor deixando o Planalto, após a renúncia
Foto: Elza Fiuza/ABr

Em seguida (1990), mais uma decepção. Cheio de esperança 50,01% dos eleitores elegeram Collor; outro desastre. Ao sair, ainda deixou uma inflação de 1119,91% , sem falar nas diversas tentativas frustradas de combate e no confisco da poupança.

Num golpe do congresso, por não saber dividir o poder, Collor sucumbiu e renunciou para não sofrer o impeachment, em 1992.

As consequências do confisco da poupança: além do natural desgaste político e econômico, o governo prometia devolver o dinheiro em 18 meses, remunerado a uma taxa de 6% a.a.. Não aconteceu, e até hoje, ainda existem processos para recuperação desse dinheiro.

O Plano Collor I consistia de:

  • Privatização de estatais;
  • Flutuação do câmbio sob controle estatal;
  • Fechamento de ministérios e demissões de funcionários públicos;
  • Retenção da poupança de depósitos superiores a 50 mil cruzeiros (equivalente a cerca de R$ 6 mil);
  • Mudança de moeda, que passaria do cruzado novo para o cruzeiro;
  • Abertura do mercado externo e fim de subsídios estatais.

Com o fracasso do plano, foi então criado o Plano Collor II, que consistiu no congelamento de preços, já tentado sem sucesso no governo Sarney, mudanças no overnigth. Novo fracasso, comprometendo, inclusive a geração de empregos.

Nasce uma estrela

Presidente Fernando Henrique Cardoso
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil (23/05/2015)

A esperança do brasileiro, foi quando Fernando Henrique Cardoso, no governo Itamar (1992-1995), então vice-presidente, que tomou posse após o impeachment de Collor, criou o plano real.

Com o brasileiro desconfiado com tantos planos econômicos desde o governo Saney, finalmente um plano, que iniciou com a URV, Unidade Referencial de Valor, vindo posteriormente a se transformar no plano real, dava certo.

Depois vieram os governos FHC (1995-2003), que embora tenha começado a implantar ações progressistas, era “mais ou menos” liberal, o que confundiu muita gente.

Ele aceitava o liberalismo, desde que tutelado pelo Estado. Seu governo foi marcado pela falta de uma política industrial.

O governo FHC enfrentou crises externas, com as consequências da crise do petróleo (1991),  crise financeira asiática de 1997crise econômica da Argentinacrise russa de 1998crise econômica do México de 1994 e desvalorização do real em 1999, quando passou a realizar a orientação da política macroeconômica que segue até hoje: regime de metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário, que substituiu a política de âncora cambial.

Enfrentou ainda fuga de capitais, os atentados terroristas nos EUA em 11 de setembro de 2001, a falsificação de balanços da Enron/Arthur Andersen, que provocou uma recessão mundial, tudo com consequência para nossa economia.

Outro problema sério foi relativo às taxas de juros que o governo pagava pra captar recursos. As maiores taxas até hoje, em comparação aos governos que se seguiram. Isso, junto com as crises internacionais, contribuiu para o aumento da dívida pública.

Veja abaixo as taxas Selic nos governos FHC e Lula.

Gráfico das taxas Selic nos governos FHC e Lula
A Taxa Selic foi um dos grandes vilões do governo FHC que contribuiu para o aumento da dívida pública.

Foi no seu governo que foram implementados programas sociais  como o bolsa-escola, o vale-gás e o bolsa-alimentação , posteriormente unificados e renomeados no governo Lula, como bolsa-família.

Diante da crise permanente, esses programas sociais, também impactaram a dívida pública.

Seu maior feito foi sair da hiperinflação mantendo o plano real, e com ele uma inflação de um dígito.

Deixou uma dívida de R$ 0,98 trilhão.

A era PT

A primeira grande decepção dos liberais, que não acreditavam nas mudanças que ele garantiu através da “Carta aos Brasileiros”, foi a eleição de Lula (2003–2011) . Quase uma revolução ver um semi-analfabeto com o quarto ano primário, um torneiro mecânico desempregado, chegar a presidência da república.

O início da corrupção endêmica e institucionalizada

No entanto, já nos primeiros anos, em 2005, estourava o escândalo do Mensalão e começava aí, a institucionalização da corrupção, com envolvimento da elite política brasileira, amparada e coordenada pelo Estado.

Presidente Lula
Crédito: Agência Brasil

Com um governo populista, Lula começou a perder o controle da dívida pública, que cresceu 105% nos dois mandatos, entregando a Dilma um país com a respeitável dívida de R$ 1,69 trilhão, que um dia teria que ser paga.

Nesse período o país cresceu em média 4% ao ano, com uma taxa de desemprego pouco acima do 5%.

Diante da crise mundial de 2008 provocada pela falência Lehman Brothers, também chamada da crise dos derivativos, o Governo Lula inaugurou a desregulamentação fiscal, que voltaria a ser usada por Dilma Rousseff, prejudicando a arrecadação de União, Estados e Municípios.

Facilitou os empréstimos para pessoa física, o que comprometeu a estabilidade financeira das famílias com um endividamento saindo de 18,39% para quase 40%.

Em abril o endividamento das famílias estava em 62,7%.

Interferiu nos fundos de pensão de estatais, influenciando na decisão de investimento de altíssimo risco, vindo a torná-los insolventes. Seus beneficiários terão que pagar durante décadas, o que já havia sido pago para garantir uma aposentadoria mais tranquila.

Foi nesse período que o PT promoveu o Foro de São Paulo com o objetivo de implantar governos de esquerda na América Latina. Para se manter na liderança do Foro, passou a financiar esses governos na região, desviando recursos do BNDES, cuja missão era financiar empresas brasileiras, no Brasil, promovendo o desenvolvimento.

Esse “desvio” se justificava pelo fato dos recursos não serem emprestados diretamente aos países, mas através de empresas brasileiras que recebiam os empréstimos.

Além de ser marcado pela corrupção, com o mensalão e o petrolão, deixou uma verdadeira herança maldita para sua sucessora.

A pá de cal: o governo Dilma

Presidente Dilma Rousseff
Antonio Cruz/Agência Brasil

Em seguida vieram os dois governos de Dilma Rousseff (2011-2016) deixando uma dívida pública de R$ 3,6 Trilhões.

Um governo controverso como o de Lula que tirava de onde não tinha, para atender demandas que seriam ” responsabilidade do Estado”, além de demandas estrangeiras no processo iniciado por Lula, no Foro de São Paulo. A dívida pública foi para a estratosfera .

Ministro da Justiça Sérgio Moro

Nesse período, em 17 de março de 2014, teve início a operação Lava Jato. O mais importante acontecimento de todo o período abordado, com resultados positivos para a sociedade, cuja importância pode ser comparado ao Plano Real, capitaneado pelo então juiz Sérgio Moro.

A operação Lava Jato desmobilizou o esquema criminoso de corrupção institucionalizada, a que o brasileiro se submeteu nos últimos 16 anos, desde a subida do PT ao poder, e que culminou com a prisão do próprio Lula.

Gráfico da relação Dívida x PIB nos governos pós redemocratização.

O início das mudanças

Por fim o governo Temer.

Presidente Temer
Presidente Temer. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois de receber o navio desgovernado, o segundo em 30 anos, tinha que fazer uma manobra, rumo à prosperidade.

Esta figura de linguagem, se deve a dificuldade de se reduzir a velocidade e mudar o rumo de um navio, que tem capacidade de manobra restrita. Se for num porto, então, pode ser impossível. O desastre é quase certo.

Com uma dívida estratosférica e mais de 11 milhões de desempregados herdados do governo Dilma, Temer trouxe mudanças que possibilitariam iniciar um processo de recuperação fiscal; aprovou lei da terceirização, a PEC dos gastos públicos e a reforma trabalhista, mas não teve tempo para o fazer o “navio” reduzir sua velocidade .

A dívida pública e o desemprego continuaram sua nefasta tendência de crescimento, passando dos treze milhões de desempregados.

Devido a corrupção existente, e com seu próprio envolvimento em delação premiada, não conseguiu aprovar a reforma mais importante. A reforma da previdência.

Terminou seu governo laconicamente, com a pior aprovação da história, entregando a Bolsonaro um país ainda com a dívida de R$ 4 Trilhões e aproximadamente, 13 milhões de desempregados.

A revolução

Uma revolução sem derramamento de sangue

Por fim a verdadeira revolução. O país elege um deputado do “baixo clero”, numa eleição que participou sem dinheiro, com uma campanha limpa e propostas de mudança que a sociedade queria.

Presidente Jair Bolsonaro

Uma sociedade liberal e conservadora, que se calou durante 30 anos de esquerda no poder, com a prática do politicamente correto, e que finalmente deu seu grito. Basta!

Um novo momento de esperança vivido pelo povo brasileiro, que até o momento tem visto sua promessas de campanha, serem cumpridas.

Portanto, durante os últimos trinta anos, minha geração só tem três momentos importantes para comemorar; o plano real, a Lava Jato e o afastamento da esquerda do poder.

Foram três décadas perdidas na economia e um país isolado do mundo, perdendo oportunidades de crescimento tecnológico e inovação, fruto desse isolamento.

Por fim a educação. Conseguimos a proeza de chegar ao penúltimo lugar na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado em 40 países. Estamos no 39o lugar, talvez o principal legado dos últimos 30 anos administrados pela esquerda brasileira.

Como pensar em competição no mercado internacional se nossa educação impedirá que alcancemos o mínimo de competitividade e produtividade exigida no mercado externo?

Sem educação vamos continuar competindo, tendo como diferencial a desvalorização de nossa moeda?

Taí! Uma resposta que gostaria, fosse respondida. Quem sabe a esquerda a tenha?

* Mantive a informação da dívida pública em dólar, pela complexidade da conversão para real, em virtude da inflação no Brasil e nos EUA.

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